A febre dos 
pássaros


Impulsionados por uma fisga, vários passarinhos coloridos e raivosos atacam os malvados porquinhos para recuperar os seus ovos roubados. Foi com esse argumento simples — quase infantil —
que o jogo Angry Birds se tornou um dos maiores fenómenos do mundo digital.
Angry Birds, da Rovio: 
Filandeses criaram a aplicação mais bem sucedida de sempre para telemóveis e tablets

Desde que foi lançado pela fabricante de jogos finlandesa Rovio Mobile, em Dezembro de 2009, o Angry Birds foi descarregado 250 milhões de vezes e alcançou 2,7 milhões de seguidores no Facebook. No final de Abril, a revista Time incluiu o criador do jogo, Peter Vesterbacka, na lista das 100 personalidades mais influentes do ano, ao lado de outras como o Presidente Barack Obama e Julian Assange, do WikiLeaks. O sucesso instantâneo levou a Rovio, e os seus 60 funcionários instalados em Espoo, cidade de 250 mil habitantes nos arredores da capital Helsínquia, a atrair a atenção de grandes empresas interessadas em seguir de perto o voo dos passarinhos. “É um jogo que agrada a todas as idades e níveis culturais. Logo é uma excelente montra para qualquer empresa”, diz Harold Goldberg, especialista em jogos electrónicos.

Uma das campanhas com maior repercussão mediática foi feita pela 20th Century Fox para o lançamento do filme de animação Rio, realizado pelo brasileiro Carlos Saldanha. Angry Birds teve direito a uma versão especial associada ao filme, em que os pássaros têm a missão de libertar animais aprisionados. O investimento na campanha incluiu um anúncio no SuperBowl, a final do campeonato de futebol americano, no dia 6 de Fevereiro. As duas empresas utilizaram o espaço publicitário mais caro do mundo, em que o minuto custa até 4 milhões de dólares, para revelar aos fãs do jogo um caminho secreto que os levaria a concorrer a uma passagem para a estreia do filme, no Rio de Janeiro, no dia 15 de Abril. A receptividade foi enorme, com 10 milhões de downloads do Angry Birds Rio nas duas primeiras semanas da promoção. “Queremos que a marca Angry Birds perdure por anos e anos”, disse à EXAME o finlandês Ville Heijari, responsável pelas relações públicas da Rovio. “E parcerias com as grandes empresas mundiais são o melhor caminho para um dia nos transformarmos numa multinacional”, justifica.

 

Lançado em 2009, o número de downloads da aplicação já é igual ao total da população dos Estados Unidos

A verdade é que a influência da Rovio vai além das campanhas de marketing. Um bom exemplo é a parceria com a também finlandesa Nokia. Em Março, as duas empresas promoveram o primeiro campeonato de Angry Birds no seu país de origem, com 2600 participantes. O campeão, Jonas Koivula, de 19 anos de idade, recebeu uma viagem para visitar os estúdios da Fox, em Hollywood e, claro, um smartphone de última geração da Nokia (a competição deverá ser lançada em breve noutros países do mundo). Depois do sucesso da primeira iniciativa, a Rovio foi convocada pela Nokia para ajudar a fabricante de telemóveis a expandir a sua base de utilizadores tornando-se a “estrela” de uma recém-lançada tecnologia para pagamentos através do telemóvel. Como contrapartida, 20 novas fases do jogo serão desenvolvidas exclusivamente para os clientes do serviço. Apenas cinco fases estarão acessíveis inicialmente — as restantes só ficarão disponíveis quando o cliente convidar outras pessoas a participar no jogo. 

Do mundo online para as lojas físicas

Há dois meses, o Angry Birds saiu do universo on-line para o mundo real. No dia 11 de Maio, a operadora de telecomunicações Deutsche Telekom ergueu numa das praça mais movimentas de Barcelona uma versão em tamanho gigante do jogo para promover uma nova linha de smartphones com preços abaixo de 100 euros. “A popularidade do Angry Birds tornou o jogo uma excelente oportunidade para as empresas mostrarem novos produtos ou serviços”, diz Tiago Ritter, sócio da agência de marketing digital W3Haus. Em breve, a febre dos passarinhos raivosos poderá alastrar a outros países. Em Maio, a Mattel lançou um jogo de tabuleiro com os pássaros. E a Rovio tem mais projectos para alargar a marca tais como um filme de animação, um programa de televisão e o merchandising das personagens (no site oficial do Angry Birds já é possível comprar T-shirts). Até onde irão voar os pássaros?

 

Atraídas pela revolta

As empresas que já aproveitaram a febre do Angry 
Birds para as ​suas campanhas de marketing

Fox

Para lançar o filme Rio, a Fox encomendou à Rovio 
uma versão especial de Angry Birds. A campanha foi anunciada no SuperBowl, 
em Fevereiro, e registou
10 milhões de downloads 
do jogo em duas semanas de promoção.

nokia

Em Março, a empresa promoveu o primeiro campeonato finlandês 
de Angry Birds. Mais de 
2600 pessoas participaram nas eliminatórias. Agora,

a fabricante de telemóveis prepara torneios noutros países do mundo.

Deutsche Telekom

 

No dia 11 de Maio, a empresa 
criou uma versão do jogo, em tamanho gigante, numa praça de Barcelona para promover uma linha de smartphones. O evento deu origem a um anúncio para TV.

 

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100 milhões 
usam a rede


A contratação de profissionais para cargos especializados faz-se da mesma forma há várias décadas. A novidade, no final do século passado, foi o surgimento dos headhunters (caça-cabeças), especialistas em pesquisar e contratar executivos de topo. Agora o que está em alta são as redes sociais. Em Março, o LinkedIn, a rede fundada pelo americano Reid Hoffman — criador do PayPal — atingiu 100 milhões de utilizadores em mais de 200 países.

O recrutamento não é a única ambição de Hoffman. Tal como o Facebook, pretende tornar-se o repositório da vida on-line dos indivíduos, Hoffman quer fazer o mesmo para as empresas. Fundada em 2003, a empresa não teve um crescimento explosivo. Ao contrário de outras redes criadas na época, como o MySpace ou o YouTube, o LinkedIn demorou seis anos para chegar aos 50 milhões de utilizadores. O grande salto surgiu nos últimos 12 meses, quando os clientes mais do que duplicaram.

Hoje, a facturação do LinkedIn cresceu de 123 milhões de dólares, em 2009, para 243 milhões, em 2010. Segundo a revista Fortune, 73 das 100 maiores empresas do mundo, usam as redes sociais para recrutar pessoas ou ter uma presença mais activa na comunidade. Por exemplo, a British Gas Business, usou o LinkedIn para criar um fórum sobre eficiência energética que atraiu a atenção dos melhores profissionais do mundo. A Cisco criou um prémio, em parceria com o LinkedIn, para promover as melhores iniciativas empresariais na rede. “O LinkedIn tem um perfil único de utilizadores que muitas vezes não frequentam outras redes sociais, como o Twitter ou o Facebook”, diz Sunil Gupta, professor de Marketing da Universidade Harvard.

Outra diferença face ao Twitter, que tem o dobro dos utilizadores (200 milhões) é que o LinkedIn tem um modelo de negócio lucrativo, que não depende da publicidade on-line. Em 2010, as receitas com o recrutamento duplicaram e já representam 40% da facturação. As contas premium, que oferecem mais recursos aos utilizadores individuais, respondem por outros 30%.

Este ano o LinkedIn prevê fazer um IPO (oferta publica inicial) que será o primeiro de uma rede social. As estimativas mais optimistas apontam para uma entrada de capital de 175 milhões de dólares (segundo os peritos a empresa está avaliada entre os 2,5 e os 3 mil milhões de dólares). À medida que Hoffman adicionar novos recursos à rede, o valor irá crescer. Até quando?

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O detective virtual


A jornalista Rose Leonel já tinha dois filhos, fruto de casamentos anteriores, quando se apaixonou por um empresário da cidade brasileira de Maringá. A relação até corria bem, mas o namorado tinha o estranho hábito de lhe pedir para fotografar ou filmar os momentos íntimos do casal. Com o passar do tempo ele tornou-se mais controlador e autoritário. Quando Rose ameaçou terminar a relação, o namorado ameaçou colocar todas aquelas fotos na internet. Quando a separação se consumou, ele cumpriu a promessa. No ciberespaço, Rose Leonel era comparada a uma vulgar prostituta que, além das fotos intimas, divulgava o seu número de telefone e o e-mail para encontros sexuais. Nos dias seguintes, o seu telemóvel e o e-mail foram bombardeados com mensagens indecorosas. À medida que as imagens chegavam a cada vez mais pessoas, Rose Leonel acabou por ser despedida do emprego, difamada em toda a cidade, perdeu vários amigos e os seus filhos tiveram de trocar de escola várias vezes (um deles abandonou o país).

WANDERSON: “Só durmo três horas por noite e estou cerca de 15 a 18 horas por dia  na internet. Já resolvi cerca de 500 crimes electrónicos”
Foi uma Rose Leonel desesperada que resolveu contar o seu caso dramático num programa de televisão brasileiro de grande audiência. Nessa altura entrou em cena Wanderson Castilho, um especialista em crimes cibernéticos. Aos 41 anos, Wanderson é director da E-Net Security Solutions e o autor do livro Manual do Detetive Virtual (lançado em 2009 e baseado em casos reais). Licenciado em Física, pela Universidade Federal do Paraná, com especialização em Análise Forense Digital, Castilho fez vários cursos de formação nos Estados Unidos (alguns dos quais frequentados por agentes da CIA e do FBI), país onde ele já é certificado como perito em análises de comportamento (behaviour analyst). Wanderson diz com orgulho que já desvendou mais de 500 crimes na internet relacionados com o uso inadequado de imagens, o roubo de palavras-passe ou até casos mais graves de pedofilia e sequestro. “Até agora resolvi-os todos”, afirma com orgulho.

O que se coloca na rede torna-se eterno

O caso de Rose Leonel foi o mais mediatizado (surgiu em vários artigos na imprensa). O perito aceitou ajudá-la gratuitamente desde que a jornalista concordasse em tornar o seu caso público (por regra o autor não divulga os nomes das vítimas). O detective começou com uma pesquisa no Google onde foram identificados 6 milhões de resultados. Seguiram e-mails para os responsáveis de sites e blogues onde constavam as fotos. Um deles, na Alemanha, concordou em fornecer o IP do autor. Já em posse de uma autorização do tribunal, Wanderson descobriu que a colocação das imagens tinha ocorrido num centro comercial. O passou seguinte foi analisar a lista das 150 máquinas que tinham usado a rede naquela altura. Através de uma nova ordem judicial, foi possível apreender o computador do ex-namorado de Rose Leonel e confirmar a autoria do crime.

O processo ainda decorre nos tribunais. O criminoso arrisca-se a cumprir uma pena que vai desde a simples prestação de serviços comunitários até aos cinco anos de prisão (dado o carácter excepcional dos danos causados à vitima). Wanderson lamenta que a mão do tribunal não seja mais pesada. “Apesar de no Brasil sucederem cerca de 100 casos por dia, ainda não há uma lei específica para o crime electrónico. Logo aplica-se o mesmo regime da difamação comum cujas penas se limitam de seis meses a um ano de prisão e podem ser trocadas por acções comunitárias.”

 

É mais fácil descobrir criminosos no mundo virtual do que no físico. Tudo o que é feito deixa um registo

Uma clara injustiça, segundo Wanderson. “A internet ampliou o impacto das notícias. As pessoas podem ficar famosas ou serem difamadas numa questão de minutos. Um caso de difamação verbal pode chegar ao conhecimento de, no máximo, 50 pessoas. Através do mundo virtual, pode atingir 1 milhão.” Ele acrescenta um segundo problema “tudo o que é colocado na internet torna-se eterno”. Basta dizer que apesar de os inúmeros e-mails já enviados, ainda existem cerca de 700 mil páginas com fotos de Rose Daniel que não conseguiu apagar. “Infelizmente os filhos e os netos da jornalista ainda poderão ver as suas fotos na rede. Isso é algo irreparável.” O perito aconselha, por isso, muito cuidado na disponibilização de fotos, inclusivamente nos sites de relacionamentos. “Tive uma cliente que também foi surpreendida com fotos suas na internet, em que estava nua. O autor do crime foi um antigo namorado que manipulou as suas fotos com recurso ao Photoshop (um conhecido  software de manipulação de imagens)”. 

Segundo Wanderson a difamação é o crime mais em voga na internet neste momento. Acontece, quase sempre, devido a razões passionais. Tais crimes estão infelizmente a crescer entre os jovens. Recentemente uma adolescente suicidou-se quando viu o que foi colocado sobre si na internet. Outro caso tristemente célebre é o de uma jovem que foi fotografada numa festa a consumir drogas e um colega mais velho obrigou-a a ter relações sexuais com ele, usando a chantagem de enviar as fotos aos familiares. “Os pais acreditam que os filhos estão mais seguros quando estão trancados no quarto a usar o computador. Mas hoje a maior parte dos crimes ocorrem no ciberespaço. É preciso estar vigilante”, diz.

Crimes de difamação estão a crescer

 

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O livro Manual do Detective Virtual narra outros casos ocorridos no mundo das empresas tais como desfalques financeiros, traições entre sócios ou a passagem de informação confidencial para a concorrência. O especialista aconselha as empresas a definir uma política de segurança rigorosa e a investir em softwares de protecção de redes e de monitorização de e-mails. “Pode criar-se palavras-passe de alerta, como o nome de uma empresa rival, por exemplo, para prevenir fugas de informação”, refere.

O crime de difamação também está em alta nas empresas. A maior parte foi cometida por antigos empregados que desejam vingar-se. “Muitas vezes os criminosos são os próprios responsáveis de informática”, diz Wanderson. Durante a palestra dirigida a jornalistas que ministrou em Talatona (na sede da agência Tudo em Pauta, que se propõe realizar mais conferências deste tipo com o periodicidade semanal) Wanderson apresentou mais casos tais como o da Dafra Motos. A fabricante brasileira gastou uma fortuna num vídeo publicitário, que depois surgiu na internet com uma nova voz off insultuosa para a marca. A versão satírica desse anúncio bateu recordes de visualização no YouTube e deu origem a uma quebra de vendas significativa. “Ainda hoje quando as pessoas vêem os novos anúncios da Dafra Motors não conseguem deixar de sorrir”, diz.

Aliás o especialista veio a Angola precisamente para investigar um crime deste tipo que atingiu uma empresa brasileira do sector imobiliário e cujos responsáveis estavam a ser alvo de e-mails difamatórios. “A minha investigação apurou que afinal a origem das mensagens era um servidor com origem no Brasil e não em Angola. O responsável já foi identificado”, esclarece.

A boa notícia, quando se fala em crimes cibernéticos, é que os culpados acabam por ser apanhados. “A sensação de impunidade e de anonimato é falsa. É mais fácil descobrir criminosos no mundo virtual do que no físico”, assegura o “detective”.

Wanderson explica porquê. “Numa cena de homicídio o autor pode apagar as evidências ou limpar as impressões digitais. Quando dois computadores se conectam eles identificam-se automaticamente fazendo com que o rastreamento seja mais fácil. Todos os e-mails vêm com um cabeçalho onde se pode ler o caminho por onde a mensagem passou até chegar à sua caixa de correio. Também as conversas que são trocadas quando se usa uma rede ficam guardadas nela. Tudo o que é feito deixa um registo. É como se pudéssemos ler a imagem que foi gravada na mente da vítima, minutos antes da morte”, diz. Logo, o trabalho de Wanderson não é muito diferente daquele que é feito pelos detectives tradicionais. “A diferença é que eu me especializei na detecção de crimes na internet.”

Leitura de expressões faciais

Não existem ainda muitos detectives virtuais com o perfil de Wanderson Castilho. Ele descobriu a vocação enquanto estudava Física na Universidade do Paraná. “Durmo poucas horas por noite, em geral não mais de três, e sempre fui um autodidacta dos computadores. Eu tinha tempo livre e percebi que conseguia entrar facilmente nos servidores da faculdade. Resolvi usar essas técnicas de espionagem para fazer algo positivo. Acho que tenho capacidade para pensar como um criminoso e perceber o que eles vão fazer a seguir”, confessa. Desde então apostou a sério na formação. “Vou aos Estados Unidos seis a oito vezes por ano fazer cursos específicos.”

Uma das técnicas que está na moda é o reconhecimento facial, metodologia que se tornou popular com o sucesso da série de televisão Lie to Me. No pequeno ecrã, os investigadores conseguem perceber se os criminosos estão a mentir devido ao estudo dos seus sinais faciais e corporais. Segundo rezam as teorias desenvolvidas pelo psicólogo americano Paul Ekman e que inspiraram a criação do cínico personagem Cal Lightman (Tim Roth) as emoções e as mentiras manifestam-se através de pequenos gestos, posturas corporais e expressões faciais quase incontroláveis.

A verdade é que tais técnicas funcionam na vida real e são usadas por agência como o FBI e a CIA. “A série Lie to Me está muito bem feita e é baseada em factos reais. O mais importante é reconhecer as alterações no padrão facial. Se alguém pisca muito os olhos quando fala verdade e, de repente, pára de piscar, isso pode ser um sinal que está a mentir. A eficácia destas técnicas é superior à do polígrafo, por exemplo”. O especialista representa no Brasil, o software Face Reading, fabricado pela Noldus, que tem sido usado, por exemplo, para evitar que os candidatos mintam nas entrevistas de recrutamento.

Claro que para ter sucesso na profissão é preciso passar muitas horas na rede. “Estou cerca de 15 a 18 horas por dia na internet”, confessa. No que diz respeito a Angola o “detective” ficou impressionado com o dinamismo do país. As estatísticas mundiais dizem que Angola tem apenas 607 mil utilizadores de internet (alguns jornalistas presentes na sala afiançaram que deverão ser bastante mais), mas para Wanderson o importante é o ritmo elevado de crescimento. “Os números de utilização duplicaram face ao ano passado. Angola deve ser um dos países do mundo com maior taxa de crescimento. Logo é necessário apostar mais na segurança”, recomenda.

Primeiro caso resolvido em Angola

 

Com a internet as pessoas podem ficar famosas, ou serem difamadas, numa questão de minutos

Nos contactos que manteve com responsáveis políticos ficou com a ideia de que Angola está atenta ao problema e a estudar a publicação de legislação específica para o crime cibernético. “Isso é algo muito importante. Angola pode evitar cometer os erros de outros países que não se prepararam devidamente. Por exemplo, um dos problemas no Brasil era que muitos crimes ocorriam através dos cibercafés. Hoje, já é obrigatório que as pessoas se registem antes de utilizar essas salas. Os centros comerciais também são obrigados a ter câmaras de vídeo para monitorizar quem está a usar as redes sem fios.” 

Por isso, em certo sentido, hoje, o trabalho de Wanderson é mais fácil. Mas, por outro lado, com a crescente sofisticação do cibercrime e o ciberterrorismo é mais complicado apanhar criminosos. Basta ver o exemplo de Julian Assange, o mentor do WikiLeaks, que colocou os segredos mais bem guardados dos Estados Unidos à solta no ciberespaço. Questionado se o considerava um herói ou um vilão, Wanderson hesitou na resposta. “Nunca ninguém me tinha perguntado isso. Por um lado, acho que Assange é um herói dado que luta pela verdade. Mas, por outro, ele também é um vilão porque colocou em causa a segurança mundial.”

À medida que a internet cresce os dilemas éticos vão aumentando na mesma proporção. No passado, discutia-se se as empresas tinham o direito de espiar os e-mails dos empregados ou monitorizar os sites que viam, dado que isso era uma violação da privacidade. Hoje, as novas vítimas são as próprias empresas que vêem a sua reputação ser atacada por trabalhadores descontentes ou consumidores insatisfeitos. Talvez, por isso, Wanderson confessa que já fez um curso de “hacker (pirata informático) ético”. Ele saiu de Angola extenuado (a palestra e as entrevistas terminaram já depois da meia-noite), mas feliz. Pôde juntar mais uma história à sua longa lista de casos resolvidos.
 

Como se proteger do cibercrime

 

Cal Lightman (Tim Roth) NA SÉRIE LIE TO ME: As técnicas 
de leitura facial também são usadas por Wanderson

 Particulares

1    Evite registar momentos íntimos. Haverá sempre o risco dessas imagens irem parar 
a mãos erradas.
2    Faça periodicamente buscas ao seu nome no Google (Google Alert) e redes sociais.
3    Cuidado com os encontros com pessoas que conheceu na internet. Não vá sozinho.
4    Mantenha a firewall e os softwares 
de antivírus sempre actualizados.
5    Crie palavras-passe para proteger os seus arquivos, pen drives (mais fáceis de perder) e documentos mais importantes. Há programas (keylogger) que registam todas as acções realizadas no seu computador.
6    Evite disponibilizar detalhes sobre a sua vida pessoal na internet. As fotos lá colocadas podem ser modificadas e usadas contra si.
7    Jamais abra arquivos que terminem com: Pif, Scr, Bat, Vbs e, sobretudo, Exe e Com.
8    Nunca crie uma rede wireless sem protecção e mude periodicamente a palavra-passe. Ao configurar escolha a WPA2 como opção de criptografia (é considerada a mais segura para as redes sem fios).
9    Cuidado com os acessos às redes wireless em aeroportos, cibercafés e hotéis.
10    Se for vítima de um crime, contrate peritos (técnicos e advogados) em meios digitais.

        Empresas

1    Defina uma política de segurança que estabeleça qual o tipo de informações  consideradas sigilosas e que penas serão aplicáveis em caso de quebra 
de confidencialidade.
2    Crie firewalls e software antivírus e adquira programas de monitorização dos e-mails e bloqueio de sites.
3    Destrua (não se limite a apagar) todos os CD, DVD e discos que já não precisa.
4    Em caso de suspeita, reaja com base em factos, não em suposições.
5    Não se esqueça de que a produção 
de provas deve usar meios lícitos.

 

 

 

Por: Jaime Fidalgo

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Vem aí a televisão 
digital


Edição nº 13

Media

A maioria dos angolanos decerto ainda desconhece o significado da sigla TDT (televisão digital terrestre). No entanto, em breve, irá fazer parte do seu quotidiano. É que, em 2006, os países da SADC, incluindo Angola, assinaram na cidade de Genebra, na Suíça, o acordo de adesão à norma de migração da transmissão analógica para a digital até 2015.

Para os mais avessos às siglas importa esclarecer que a televisão digital, usa um sistema de modulação e compressão digital para enviar vídeos, áudio e sinais de dados aos aparelhos compatíveis com esta tecnologia. Logo, proporcionará a transmissão e a recepção de uma maior quantidade de conteúdo para uma mesma frequência (ou canal) podendo obter imagens de alta qualidade (alta definição). Irá permitir, em suma, um maior e mais eficiente uso do espectro de frequências de rádio.

 

TV DIGITAL: Melhor imagem, mais canais, guia electrónico de programação, legendagem e interactividade

Dito por outras palavras, uma frequência que até agora fornece apenas um único canal de televisão analógico, poderá “alimentar” diversos canais de televisão digital, permitindo ao utilizador uma maior variedade de escolhas e um melhor aproveitamento do espectro radioeléctrico. 

Para além da melhoria ao nível da qualidade de som, da compressão de vídeo (MPEG 4) e do aumento de canais disponíveis, a TDT permitirá o acesso a um guia de programação electrónico com oito dias de antecedência, assim como à legendagem e outros serviços interactivos.

De referir que a adopção da televisão digital em África não será uma mudança repentina, mas, sim, uma migração do sistema analógico para o sistema digital até 2015, através da nova tecnologia de transmissão terrestre de som e vídeo: a chamada DVB-T2 (segunda geração).

Tal como esclareceu Gerhard Petrick, da SADIBA (Associação de Radiodifusão Digital da África Austral), “a passagem dos descodificadores analógicos para os digitais, desenvolveu-se primeiramente através da norma de descodificadores DVB-T (transmissão de vídeo digital terrestre de primeira geração). Hoje, é possível dar-se um passo maior usando descodificadores de segunda geração, os DVB-T2, que oferece uma tecnologia de ponta, maior optimização e redução de custos”.

Teste realizado em 60 casas no Soweto

Um grupo de seis jornalistas angolanos, a convite da operadora sul-africana Multichoice (que já disponibiliza em Angola canais em alta definição), recebeu uma sessão de formação sobre o novo sistema de TDT em Joanesburgo. No âmbito dessa acção, os jornalistas puderam verificar que a nova solução tecnológica já está a ser testada no  terreno. A M-Net sul-africana, em colaboração com a E-TV, instalou um conversor TDT (descodificador) em 60 casas, no Soweto, usando a referida norma de transmissão DVB-
-T2, (que já foi adoptada por 120 países em todo o mundo).

É importante dizer que os clientes não precisaram de instalar uma antena parabólica: apenas um descodificador ligado a uma antena normal.

 

Não será preciso instalar uma antena parabólica. Basta um descodificador ligado a uma antena normal

Em Angola, o consumidor também terá de adquirir estes novos descodificadores de tecnologia DVB-T2. O preço de mercado ainda não foi estipulado, mas sabe-se que, no Reino Unido, os aparelhos podem ser adquiridos por pouco mais de 50 dólares. Na África do Sul, onde existem mais de 10 milhões de casas com televisão, o Estado já se comprometeu a comparticipar os custos da migração junto das famílias mais desfavorecidas. 

Com a mudança para a TDT, Angola terá de revogar a política nacional sobre migração digital e trabalhar sobre o plano de reforma de frequências de radiodifusão terrestre. E, tal como acontece noutros países, o Governo bem que poderia comparticipar o esforço de implementação da infra-estrutura do ISBT-T (Serviço Integrado de Transmissão Digital). Um assunto a acompanhar nos próximos quatro anos.

 

Televisão Digital Terrestre
 

O que é a TDT?…

A Televisão Digital Terrestre permite a utilização mais eficiente do espectro radioeléctrico (a gama de frequências que pode ser usada por vários sistemas de comunicação para transmitir som, dados e imagem).

…e quais as vantagens

Oferece melhor qualidade das imagens e do som, a possibilidade de oferta de mais canais (conteúdo adicional), de acesso aos serviços de rádio incluídos na TDT e uma melhor experiência de televisão através de, por exemplo, do guia de programação electrónico (EPG), legendagem, opções de vários idiomas
e serviços interactivos como meteorologia e notícias.

 

Por: José Vieira, em Joanesburgo

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Transparência: Ferramenta da Google mostra quem bloqueia conteúdos


A Google acaba de lançar um mapa interactivo online onde se podem ver os conteúdos censurados no mundo inteiro. A BBc faz uma boa análise, Google Releases Censorship Tools.

O projecto chama-se Google Transparency Report e permite também saber que Governos fizeram pedidos de informação sobre utilizadores. A China não aparece, mas os Estados Unidos e Brasil estão no topo dos que mais pediram informações sobre pessoas ou pediram para bloquear conteúdos.

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Polaroid e Lady Gaga


No esforço de marketing para dar à Polaroid um ar mais contemporâneo, foi contratada a cantora americana Lady Gaga para dar a “cara” pela marca. A meta para 2010 é atingir a facturação de 750 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 50% face a 2009. “A trajectória da empresa tem sido dura, mas a cada etapa ultrapassada, a marca comprova a sua resiliência”, diz Scott Hardy, novo presidente da Polaroid, à EXAME. “Temos uma legião de admiradores em todo o mundo e esse é o nosso principal activo”, acrescenta. Veja a estratégia completa em A Segunda Vida da Polaroid, na Exame Angola

Edwin Land é considerado um dos maiores inventores da história dos Estados Unidos, atrás apenas de Thomas Edison. Antes da sua morte, em 1991, havia registado 535 patentes, desde as máscaras para visão nocturna utilizadas na Segunda Guerra Mundial aos óculos de sol com lentes espelhadas. A sua criação mais famosa, porém, foi a máquina fotográfica de revelação instantânea.

A Polaroid, nome escolhido por Land para baptizar a sua empresa, foi a Apple do seu tempo. De tão revolucionário, o equipamento chegou a ser o mais vendido do sector entre os anos 60 e 90. Tempos depois, a Polaroid foi uma das primeiras marcas a ser varrida do mapa devido ao advento da era digital. De 2001 a 2008, entrou duas vezes em processo de falência, fechou todas as suas fábricas e demitiu milhares de funcionários. Parecia ser o fim para a Polaroid, mas um grupo de investidores decidiu salvar a marca. Em Abril de 2009, a PLR IP Holdings comprou todas as patentes da companhia e o nome Polaroid por 88 milhões de dólares e está decidido a tentar ressuscitar a empresa.

Uma das apostas da nova linha de produtos é combinar o charme retro da marca com a tecnologia digital. A série de máquinas Pogo, que já vendeu mais de 1 milhão de unidades desde o seu lançamento, em 2008, regista imagens com pixéis e vem com uma impressora embutida. Assim, o utilizador tem a possibilidade de imprimir rapidamente a foto em papel, como sucedia com as antigas Polaroid. No começo deste ano, a companhia anunciou o lançamento da PIC1000, câmara analógica inspirada nos populares modelos OneStep dos anos 70. Anunciou igualmente o reinício da produção do filme instantâneo colorido Polaroid. Para além das máquinas fotográficas, a empresa está a investir nos televisores de LCD, leitores de DVD, computadores e telemóveis.

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Tecnologia para viajar nos sonhos…


Entrar nos sonhos… porque não. A revista Wired fez um artigo interessante sobre o filme Inception, a Origem, do ponto de vista neurocientífico, The Neuroscience of Inception. NÃO LEIA O ARTIGO DA WIRED SE NÃO VIU O FILME – poderia influenciar a sua interpretação.

O autor fala da ambiguidade do filme – o que nos captiva como espectadores. Ver um filme activa as mesmas zonas do cérebro do que sonhar – estamos pouco conscientes de nós próprios e imersos no filme.

“Graças à actividade adormecida dos lóbulos frontais e a cortex visual estimulado, fenómeno usual quando assistimos a um filme no cinema, estamos nas nossas cadeiras a mastigar pipocas e confundimos o falso com o real. Não questionamos os pressupostos nem personagens vazias, como as crianças que não envelhecem. Ficamos a ver o filme, perdidos no tempo. É como se fossemos manipulados pelo próprio Dom Cobb (actor principal), enquanto viaja no nosso cérebro para plantar uma ideia. Mas este Dom Cobb,  não precisa de nenhum sedativo especial – apenas do grande ecrã”.

Veja o trailer do filme Inception.

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