A contratação de profissionais para cargos especializados faz-se da mesma forma há várias décadas. A novidade, no final do século passado, foi o surgimento dos headhunters (caça-cabeças), especialistas em pesquisar e contratar executivos de topo. Agora o que está em alta são as redes sociais. Em Março, o LinkedIn, a rede fundada pelo americano Reid Hoffman — criador do PayPal — atingiu 100 milhões de utilizadores em mais de 200 países.
O recrutamento não é a única ambição de Hoffman. Tal como o Facebook, pretende tornar-se o repositório da vida on-line dos indivíduos, Hoffman quer fazer o mesmo para as empresas. Fundada em 2003, a empresa não teve um crescimento explosivo. Ao contrário de outras redes criadas na época, como o MySpace ou o YouTube, o LinkedIn demorou seis anos para chegar aos 50 milhões de utilizadores. O grande salto surgiu nos últimos 12 meses, quando os clientes mais do que duplicaram.
Hoje, a facturação do LinkedIn cresceu de 123 milhões de dólares, em 2009, para 243 milhões, em 2010. Segundo a revista Fortune, 73 das 100 maiores empresas do mundo, usam as redes sociais para recrutar pessoas ou ter uma presença mais activa na comunidade. Por exemplo, a British Gas Business, usou o LinkedIn para criar um fórum sobre eficiência energética que atraiu a atenção dos melhores profissionais do mundo. A Cisco criou um prémio, em parceria com o LinkedIn, para promover as melhores iniciativas empresariais na rede. “O LinkedIn tem um perfil único de utilizadores que muitas vezes não frequentam outras redes sociais, como o Twitter ou o Facebook”, diz Sunil Gupta, professor de Marketing da Universidade Harvard.
Outra diferença face ao Twitter, que tem o dobro dos utilizadores (200 milhões) é que o LinkedIn tem um modelo de negócio lucrativo, que não depende da publicidade on-line. Em 2010, as receitas com o recrutamento duplicaram e já representam 40% da facturação. As contas premium, que oferecem mais recursos aos utilizadores individuais, respondem por outros 30%.
Este ano o LinkedIn prevê fazer um IPO (oferta publica inicial) que será o primeiro de uma rede social. As estimativas mais optimistas apontam para uma entrada de capital de 175 milhões de dólares (segundo os peritos a empresa está avaliada entre os 2,5 e os 3 mil milhões de dólares). À medida que Hoffman adicionar novos recursos à rede, o valor irá crescer. Até quando?
