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A maioria dos angolanos decerto ainda desconhece o significado da sigla TDT (televisão digital terrestre). No entanto, em breve, irá fazer parte do seu quotidiano. É que, em 2006, os países da SADC, incluindo Angola, assinaram na cidade de Genebra, na Suíça, o acordo de adesão à norma de migração da transmissão analógica para a digital até 2015.
Para os mais avessos às siglas importa esclarecer que a televisão digital, usa um sistema de modulação e compressão digital para enviar vídeos, áudio e sinais de dados aos aparelhos compatíveis com esta tecnologia. Logo, proporcionará a transmissão e a recepção de uma maior quantidade de conteúdo para uma mesma frequência (ou canal) podendo obter imagens de alta qualidade (alta definição). Irá permitir, em suma, um maior e mais eficiente uso do espectro de frequências de rádio.
Dito por outras palavras, uma frequência que até agora fornece apenas um único canal de televisão analógico, poderá “alimentar” diversos canais de televisão digital, permitindo ao utilizador uma maior variedade de escolhas e um melhor aproveitamento do espectro radioeléctrico.
Para além da melhoria ao nível da qualidade de som, da compressão de vídeo (MPEG 4) e do aumento de canais disponíveis, a TDT permitirá o acesso a um guia de programação electrónico com oito dias de antecedência, assim como à legendagem e outros serviços interactivos.
De referir que a adopção da televisão digital em África não será uma mudança repentina, mas, sim, uma migração do sistema analógico para o sistema digital até 2015, através da nova tecnologia de transmissão terrestre de som e vídeo: a chamada DVB-T2 (segunda geração).
Tal como esclareceu Gerhard Petrick, da SADIBA (Associação de Radiodifusão Digital da África Austral), “a passagem dos descodificadores analógicos para os digitais, desenvolveu-se primeiramente através da norma de descodificadores DVB-T (transmissão de vídeo digital terrestre de primeira geração). Hoje, é possível dar-se um passo maior usando descodificadores de segunda geração, os DVB-T2, que oferece uma tecnologia de ponta, maior optimização e redução de custos”.
Teste realizado em 60 casas no Soweto
Um grupo de seis jornalistas angolanos, a convite da operadora sul-africana Multichoice (que já disponibiliza em Angola canais em alta definição), recebeu uma sessão de formação sobre o novo sistema de TDT em Joanesburgo. No âmbito dessa acção, os jornalistas puderam verificar que a nova solução tecnológica já está a ser testada no terreno. A M-Net sul-africana, em colaboração com a E-TV, instalou um conversor TDT (descodificador) em 60 casas, no Soweto, usando a referida norma de transmissão DVB- -T2, (que já foi adoptada por 120 países em todo o mundo).
É importante dizer que os clientes não precisaram de instalar uma antena parabólica: apenas um descodificador ligado a uma antena normal.
Em Angola, o consumidor também terá de adquirir estes novos descodificadores de tecnologia DVB-T2. O preço de mercado ainda não foi estipulado, mas sabe-se que, no Reino Unido, os aparelhos podem ser adquiridos por pouco mais de 50 dólares. Na África do Sul, onde existem mais de 10 milhões de casas com televisão, o Estado já se comprometeu a comparticipar os custos da migração junto das famílias mais desfavorecidas.
Com a mudança para a TDT, Angola terá de revogar a política nacional sobre migração digital e trabalhar sobre o plano de reforma de frequências de radiodifusão terrestre. E, tal como acontece noutros países, o Governo bem que poderia comparticipar o esforço de implementação da infra-estrutura do ISBT-T (Serviço Integrado de Transmissão Digital). Um assunto a acompanhar nos próximos quatro anos.
O que é a TDT?…
A Televisão Digital Terrestre permite a utilização mais eficiente do espectro radioeléctrico (a gama de frequências que pode ser usada por vários sistemas de comunicação para transmitir som, dados e imagem).
…e quais as vantagens
Oferece melhor qualidade das imagens e do som, a possibilidade de oferta de mais canais (conteúdo adicional), de acesso aos serviços de rádio incluídos na TDT e uma melhor experiência de televisão através de, por exemplo, do guia de programação electrónico (EPG), legendagem, opções de vários idiomas e serviços interactivos como meteorologia e notícias.
Por: José Vieira, em Joanesburgo







